(?) Azul ou verde ou roxo
Azul, ou verde, ou roxo quando o sol O doura falsamente de vermelho, O mar é áspero (?), casual (?) ou mol(e), É uma vez abismo e outra espelho. Evoco porque sinto velho O que em mim quereria mais que o mar Já que nada ali há por desvendar.
Os grandes capitães e os marinheiros Com que fizeram a navegação, Jazem longínquos, lúgubres parceiros Do nosso esquecimento e ingratidão.
Só o mar às vezes, quando são Grandes as ondas e é deveras mar Parece incertamente recordar.
Mas sonho... O mar é água, é água nua, Serva do obscuro ímpeto distante Que, como a poesia, vem da lua Que uma vez o abate outra o levanta. Mas, por mais que descante Sobre a ignorância natural do mar, Pressinto-o, vasante, a murmurar.
Quem sabe o que é a alma ? Quem conhece Que alma há nas coisas que parecem mortas. Quanto em terra ou em nada nunca esquece. Quem sabe se no espaço vácuo há portas? O sonho que me exortas A meditar assim a voz do mar, Ensina-me a saber-te meditar.
Capitães, contramestres — todos nautas Da descoberta infiel de cada dia Acaso vos chamou de ignotas flautas A vaga e impossível melodia. Acaso o vosso ouvido ouvia Qualquer coisa do mar sem ser o mar Sereias só de ouvir e não de achar?
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