domingo, 26 de setembro de 2010

Assim, sem nada feito e o por fazer

Assim, sem nada feito e o por fazer
Assim, sem nada feito e o por fazer Mal pensado, ou sonhado sem pensar, Vejo os meus dias nulos decorrer, E o cansaço de nada me aumentar.
Perdura, sim, como uma mocidade Que a si mesma se sobrevive, a esperança, Mas a mesma esperança o tédio invade, E a mesma falsa mocidade cansa.
Tênue passar das horas sem proveito, Leve correr dos dias sem ação, Como a quem com saúde jaz no leito Ou quem sempre se atrasa sem razão.
Vadio sem andar, meu ser inerte Contempla-me, que esqueço de querer, E a tarde exterior seu tédio verte Sobre quem nada fez e nada quere.
Inútil vida, posta a um canto e ida Sem que alguém nela fosse, nau sem mar, Obra solentemente por ser lida, Ah, deixem-se sonhar sem esperar!

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