domingo, 26 de setembro de 2010

Fazer qualquer coisa completa

"Fazer qualquer coisa completa, inteira, seja boa ou seja má - e, se nunca é inteiramente boa,
muitas vezes não é inteiramente má - , sim, fazer uma coisa completa causa-me, talvez, mais
inveja do que outro qualquer sentimento. É como um filho: é imperfeita como todo o ente
humano, mas é nossa como os filhos são.
E eu, cujo espírito de crítica própria me não permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu,
que não ouso escrever mais que trechos, bocados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco
que escrevo, sou imperfeito também. Mais valeram pois, ou a obra completa, ainda que má,
que em todo o caso é obra; ou a ausência de palavras, o silêncio inteiro da alma que se
reconhece incapa de agir."
* * *

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